27/12/2009
22/12/2009
Passagens
Nos últimos meses andei conversando com um monte de gente -- especialistas e adolescentes -- sobre rituais de passagem, assunto de dois livros que me esperam em 2010. Muitas vezes me emocionei com os garotos e garotas contando como se despediram da infância, os que encararam essa passagem sem olhar pra trás, decididos e curiosos, e também os mais reticentes, que cruzaram a ponte com certo receio e alguma saudade.
Durante essas conversas, compartilhei descobertas, aventuras e conquistas, porque, de alguma forma, ainda sou a menina de 5, a garota de 17, a mulher de 30 e de todas as idades que já tive. Ouvindo essas histórias me dei conta de que nos últimos doze meses eu também estava em pleno ritual de passagem, trabalhando em casa depois de anos e anos em redações, numa fase nova, empolgante e, às vezes, um pouco amedrontadora, sentindo tudo o que a gente sente nos períodos de mudança em qualquer idade -- de um jeito ou de outro, estamos sempre cruzando pontes. Bom é quando fazemos essas passagens com alegria, em busca de tudo o que ainda está pra acontecer.
Até janeiro!
(ST)
21/12/2009
19/12/2009
Tesouros
“Não podemos encontrar o sobrenatural sem passar pela natureza"
...
-- Hoje a fila das formigas ficou enorme! Você tinha que ver! Começava perto da jabuticabeira e terminava lááááááá no pé de limão. Acho que tinha uns três quilômetros. Ou mais, nem sei!
A mãe explicou que essa era a distância entre a casa deles e a da avó.
-- Mas se elas cruzavam o jardim de um muro até o outro, então era mesmo uma fileira e tanto – disse a mãe, enquanto tentava clarear o encardido das unhas do menino. -- Você andou cavando buraco de novo? Desse jeito, nosso jardim vai virar uma piscina!
Canteiro de flor cheirosa, passarinho fazendo lanche de fruta, tatu-bola disfarçado de pedrinha, tesouros escondidos, quanta história acontecia naquele jardim. E foi por causa das escavações que a mãe quis saber:
-- E o Trix? Faz tempo que você não fala dele...
Trix, o gnomo que morava no tronco do velho chorão, a árvore mais antiga, mais alta e a mais bonita da rua.
O menino enfiou a cabeça debaixo do chuveiro, fingindo não ter escutado a pergunta, e continuou falando das formigas. A mãe não ia gostar nem um pouco se soubesse que Trix estava seguindo uma pista que levava à pracinha, do outro lado da rua. É que o gnomo tinha certeza de que, ali, eles encontrariam um tesouro.
Por isso mesmo, o menino levou um susto, no dia seguinte, quando viu o amigo pulando no topo de uma grande pedra, bem no meio do jardim. Trix fazia sinais, apontando para o chão, excitadíssimo.
-- Mas você não disse que a gente ia cavar o próximo buraco lá na pracinha?
-- Disse e agora desdigo! As formigas me trouxeram de volta pra cá. E elas pararam exatamente neste ponto! Aqui, aqui mesmo, três vezes aqui!
Foi só o gnomo indicar o lugar pra que o menino começasse o cava-e-tira-terra-e-cava-e-tira-terra de todo dia. E como cavou nesse dia! No final da tarde, cercado de montanhinhas de terra e com os braços doloridos, ele já estava parando quando sua mão esbarrou em alguma coisa dura, fria e esquisita.
-- Trix, o que será isso? Uma pedra?
Enfiou a cara no buraco, mas não conseguiu ver nada. Lá dentro, no fundo, era escuro, e fora, o sol já ia se apagando.
-- Pega uma lanterna! – disse o gnomo, mandão como sempre.
O menino se irritava com essa mania do amigo ficar dando ordens o tempo todo, mas dessa vez não reclamou porque aquela era mesmo uma ótima ideia. Correu até a cozinha: sabia que o pai havia comprado uma lanterninha para deixar ao lado da pia, na “gaveta das emergências”. Aproveitou pra pegar as pás de praia com dentes, novinhas, ainda guardadas na parte de cima do armário.
Voltou ao jardim com todo o equipamento e retomou a escavação imediatamente, nem lembrou da dor nos braços. Pra chegar na “coisa”, o menino agora teria que cavar de lado, porque, fosse lá o que fosse, aquilo estava enterrado um pouquinho mais à direita. E cava e cutuca e se entorta e quando já não tinha mais jeito de alcançar o fundo do buraco-túnel, ele teve a ideia de usar os pés para tentar enxergar lá embaixo. Enfiou uma perna dentro do buraco, bem esticadinha, e colocou a lanterna acesa encaixada entre os dedos do pé. Foi quando viu melhor a “coisa”, e achou que aquilo não parecia uma pedra.
-- Trix! Trix! Você acha... ? Será que é? ... É... Pode ser, não é? Pode mesmo ser um baú! Ou será que é uma arca?
O menino esticou bem o pé e mirou com a lanterna, mas só conseguiu ter certeza de que a "coisa" não era grande, e era amarronzada, de um tom que se confundia demais com a cor da própria terra. Mas aquela caixa bem que poderia ter sido dourada um dia!
Foi então que Trix mergulhou no buraco, escorregando pela perna do menino até chegar ao baú. De lá, mãos em concha em volta da boca, anunciou:
-- Acho que finalmente encontramos! Sim, sim, sim! Três vezes sim!
Com o pulo de alegria que deu, o menino desmanchou dois dos montinhos de terra que tinha erguido ao lado do buraco. Nem ligou pra a bronca que a mãe daria por causa da bagunça. Agora, só pensava num jeito de trazer o bauzinho para cima: claro que as formigas não conseguiriam puxar aquilo e, a essa hora, todos os gnomos das redondezas já tinham se recolhido pra dentro de suas árvores. De novo, o menino tentou puxar o objeto com os pés, sem sucesso -- o bauzinho nem se mexia, era como se estivesse plantado na terra. Lá de dentro, Trix gritou outra vez:
-- Acho que encontrei uma fechadura. Tento entrar pela fresta e saio logo pra contar tudo!
Entrou, mas não saiu. E não saiu e não saiu e na hora em que a mãe ameaçou um castigo, o menino teve que voltar pra casa. Estava anoitecendo, não adiantou protestar nem dizer que estava muito preocupado com o amigo.
-- Mas, mãe... E se ele ficou preso? E se tinha algum bicho horrível lá dentro?
-- Tenho certeza de que está tudo bem. O Trix sabe se virar. Você vai ver como, amanhã, ele aparece com um monte de novidades...
Exausto, o menino adormeceu preocupado, pensando nos perigos que o amigo podia estar correndo. Mesmo assim, teve um sonho lindo. Nele, o Trix estava feliz da vida, pulando entre montanhas de moedas e pedras preciosas, escorregando por colares de pérolas, dando cambalhota no meio de enormes anéis de ouro. Pena que a sensação de pesadelo do dia anterior voltou assim que ele abriu os olhos, logo cedo.
A primeira coisa que pensou: o Trix pode ter ficado enroscado nas correntes de ouro ou, pior, foi soterrado por uma esmeralda gigante!
Com o peito apertado de tanta aflição, saltou da cama e correu para o jardim, ainda de pijama. Olhou na direção da pedra e teve que esfregar os olhos pra ter certeza do que estava vendo: ali havia uma... “coisa”. Seria aquela coisa? E como o Trix tinha conseguido desenterrar o tesouro?
-- Trix! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiquis! TRIX!
Não demorou nem um minuto pra que o gnomo aparecesse num dos galhos do chorão, espreguiçando.
-- Bom dia!
-- Trix! Você está bem?
-- Desculpe, desculpe, desculpe! Três vezes desculpe! Você ficou preocupado, eu sei. Mas já era noite alta quando saí do buraco, o que foi uma sorte. Encontrei uma turma de corujas que só aparece por aqui nesse horário. Foram elas que me ajudaram a puxar o... hã, hã... o... baú.
Só então o menino lembrou.
-- E cadê o tesouro?
De braços cruzados, Trix encolheu os ombros e torceu a boquinha, apontando com o queixo na direção da pedra. O menino então correu para lá. Com as palmas das mãos, começou a esfregar energicamente a superfície impregnada de terra. E esfregou com tanta força que não demorou nada pra que o sonho do tesouro se desmanchasse diante de seus olhos: o baú não passava de uma velha lata de biscoitos, parecida com umas que ele já tinha visto na casa da avó. A “fresta da fechadura” nada mais era do que um buraquinho aberto pela ferrugem, e a lata pesava daquele jeito porque estava cheia de terra. Com a ajuda da pá que tinha ficado por ali, o menino conseguiu tirar a tampa, ou melhor, o “telhado” da casa de uma família de minhocas gordinhas.
Chateado, fechou a lata e já ia devolver o falso tesouro ao seu lugar de origem quando um raio de sol furou uma das muitas nuvens que encobriam o céu. Na mesma hora, o ar esquentou e alguma coisa reluziu dentro do buraco.
-- TRIX!
O gnomo estava procurando o pé direito da sua botinha e, por isso, não prestou muita atenção no menino.
-- O quê?
-- Você viu isso?
-- Vi o quê? E você, viu meu sapato? Onde será que deixei...
-- O brilho... Lá dentro... Mas, como é que pode um buraco brilhar?
-- Brilho?
-- É! Eu vi, juro que vi!
-- Ah, deve ser o reflexo de alguma aguinha que brotou lá no fundo.
-- Mas, Trix...
-- Ahá! Finalmente! Aqui está!
Enquanto calçava o pé perdido, o gnomo emendou:
-- Vou retomar as investigações lá na pracinha. Você vem comigo?
Dessa vez foi o menino que não respondeu -- continuava atônito com o que acabara de ver. O gnomo, por sua vez, sentiu-se rejeitado, virou as costas e saiu marchando, rumo à praça.
Ainda estava segurando a lata-casa das minhocas na mão quando o sol reapareceu, iluminando o jardim. Como tudo em volta, o buraco clareou e, de repente, aconteceu de novo. O brilho! Com o olhar hipnotizado, o menino seguiu a luz e descobriu que havia, sim, alguma coisa brilhante e de verdade, saindo da terra, como se fosse um espinho de vidro!
Colocou a lata no chão e, com a ajuda da pá, cutucou em volta daquele ponto, com delicadeza. Pouco a pouco, muitas outras pontinhas de tamanhos e formas diferentes, reluzindo com mais ou menos intensidade, foram surgindo diante dos seus olhos extasiados. Ali estava, incrustado na terra, um cristal gigante e translúcido.
Fascinado, o menino ficou admirando as faces daquela pedra imensa e luminosa, esculpida pela natureza com a perfeição de uma joia rara, e teve uma certeza: era o tesouro dos tesouros. Podia até ser uma pedra mágica!
Não via a hora de mostrar ao Trix.
A frase que abre essa história é de Arnaud Desjardins. Conto publicado no livro "Era Uma Vez Para Sempre"
17/12/2009
16/12/2009
Aula de português
De vez em quando visito Zanzinzum pra aprender alguma coisa de zanzinzunês. Não é longe, dá pra ir a qualquer hora -- é só embarcar num dicionário cinco estrelas e fazer a viagem numa poltrona macia, com tempo pra xeretar entre as fronteiras que vão de A a Z. Antes pedir informação, tento me virar lendo as placas em voz alta pra ver se o som me diz alguma coisa, mas erro em 99% das vezes. Encontro a palavra sujigola e penso imediatamente num babador manchado de mingau, uma espécie de gola que a gente pode sujar sem culpa. Mas logo descubro que esse é o nome do freio que passa debaixo do queixo do cavalo, aquela correia que prende o animal. Nada a ver com a liberdade que um babador pode significar diante de um prato de macarrão com molho de tomate! Depois encontro a palavra aralha e erro de novo, imaginando um pássaro exótico e não uma novilha que, mesmo sendo pequenininha, já pode puxar o arado. E empaco de vez em patripotestal. Lembro de pátria, pedestal, fico repetindo a palavra em voz alta e sem querer começo a cantar que moro num país tropical. Moro mesmo, mas nunca usei essa palavra pra dizer que o poder familiar se concentra na figura paterna. Faço nova escala, agora na enigmática descimbrar. Acho bonito o jeitão desse verbo que me faz pensar em aventura, grandes descobertas: "O marujo Simbad descimbrou-se pelos mares...". Não combina? Mas não é nada disso: descimbrar é retirar os cimbres de um arco depois da construção. Pena, acho que nunca vou ter ocasião pra usar uma palavra tão sonora. Na última parada do percurso traduzo recovo como esconderijo e, surpresa, descubro que essa é a posição em que estou enquanto leio: recostada no cotovelo. Difícil essa língua, não?
(ST)
15/12/2009
A bela convencida
Nessa história a bela não adormece, mas aborrece todo mundo. Tem coisa mais chata do que gente convencida?
14/12/2009
No elevador-foguete
Minha gata mora no planeta-apartamento. Esse é o seu mundo desde os três meses de vida, é tudo o que ela conhece, e conhece bem demais -- tem seus esconderijos, a janela preferida pra tomar sol, a poltrona da soneca rápida, o armário das toalhas pra dormir no escurinho, quando não quer ser incomodada, o posto de observação, em cima da geladeira, pra controlar o movimento da cozinha. Abre portas, sabe onde cada objeto da casa costuma ficar, investiga toda novidade que aparece, circula por todos os cantos. Só não se atreve com o elevador. Do hall, olha sempre desconfiada pra essa caixa misteriosa de onde as pessoas aparecem e desaparecem. Mas, às vezes, me vendo lá dentro, entra sem pensar. Aperto o botão sabendo o que vai acontecer. Segundos depois, quando a porta abre, ela fica intrigada e confusa por uns momentos. Olha pra fora sem entender e, depois, pra mim, como se perguntasse: por que tudo ficou tão diferente, cadê o meu mundo? E pula imediatamente no meu colo, miando amedrontada, sem coragem de desembarcar no planeta-garagem. Quando isso acontece, aperto o botão, levo a gata de volta pra casa, desço de novo, sozinha, e saio do elevador prestando outra atenção, curiosa pra descobrir novos planetas.
(ST)
11/12/2009
Sem bicicleta
Nem férias nem greve. Fiquei sem internet depois da tempestade de terça-feira e acreditei na história do técnico que viria em 24 horas. Três dias, mil e cem telefonemas e zero técnicos depois, cá estou eu, na livraria da Vila, tentando recuperar o tempo, o bom humor e a minha fé em Papai Noel. Até segunda!
(ST)
08/12/2009
Voltar
O abraço da rede me leva pra outro tempo. Voz de avó, cheiro de chuva, gosto de biscoito amanteigado vão e vem no balanço suave. Lembro de uma canção de ninar com sotaque italiano e adormeço menina de novo.
07/12/2009
Pra ver o invisível...
... o ventilador acorda o vento, o relógio inventa o tempo e a palavra conta o pensamento.
04/12/2009
Tempestade
De cabeça quente, as nuvens começam a brigar. Não demora muito pra ter pancada de chuva e pro céu fechar a cara, contrariado, dando bronca com voz de trovão.
(ST)
03/12/2009
Em coreano!
Vai ser difícil conferir a tradução, mas nesse momento isso não tem a menor importância. Fiquei muito feliz com a notícia: o "Como Começa" vai ser publicado na Coréia. Não é demais?
(ST)
02/12/2009
Do meu lugar
Olho pro céu e vejo o avião virando um pontinho atrás das nuvens. Olho pro chão e vejo a formiga virando um gigante capaz de carregar a maior folha do mundo.
(ST)
Abecedário-literário

A de Alice, C de Capitão Nemo, S de Sherlock Holmes... Cada letra desse alfabeto representa um personagem -- clique na imagem pra aumentar e tente descobrir outros nomes. Eu achei bem difícil, mas curti a brincadeira que encontrei lá no Librosfera.
01/12/2009
O grande encontro
Era uma vez um Autor com uma vaga ideia para uma nova história. E como nessa história tinha vaga de verdade para um grande Personagem, pensou em começar sua busca colocando um anúncio no jornal.
Procura-se um Personagem disposto a viver aventuras eletrizantes. Não é necessário ter experiência no tema, mas algumas características serão especialmente consideradas: um certo preparo físico, raciocínio rápido e personalidade carismática.
O primeiro candidato a se apresentar foi logo dizendo:
- Participei de passagens importantes de muitos livros famosos, imortalizados por personagens estrelados.
- Ah, parabéns! O senhor tem razão. Os grandes personagens não envelhecem. Mas, se entendi bem, o senhor nunca foi o protagonista desses enredos, certo? Enfim... É uma pena, mas um coadjuvante de idade avançada não é o que busco. Desculpe!
Dois dias e muitas páginas amassadas depois, o Autor recebe outro candidato - um tipo muito sincero, mas bastante imaturo.
- Já passei por muitas imaginações, mas...
- Mas?
- Nunca cheguei ao papel...
- Ah...
- Tenho muito potencial, mas...
- Mas?
- Preciso de alguém que acredite em mim, que me decifre e me revele com todas as letras, entende?
- Você é muito interessante. Mas...
Na semana seguinte, com a cabeça embaralhada e ainda sem um herói à vista, o Autor começa a pensar em outras possibilidades e, repentinamente, tem uma grande ideia: e se o narrador transformasse a própria aventura em Personagem? Animado, ele já ia colocar o texto em ação quando o telefone toca.
- Bom dia. Posso falar com o Autor?
- E o senhor é...?
- O Personagem.
- Ah, claro, o anúncio...
- Exato, o anúncio. Muito bem escrito, por sinal.
- ...?
- Quantos livros o senhor publicou?
- ... !?!
- Alô? Alô, o senhor está na linha?
- Sim... Claro, estou ouvindo... Continue, por favor!
- Desculpe! Espero que não me leve a mal, mas preciso saber um pouco mais sobre o seu estilo, como é o seu processo criativo, quais gêneros o senhor domina, se tem livros premiados... É que não me encaixo com naturalidade em qualquer texto. Tenho que sentir alguma consistência literária, entende?
O Autor experimentou vários estados de espírito. No início, ficou atônito. Mais que isso, catatônico! Depois, a palavra certa seria "irritado". Mas, pouco a pouco, foi se sentindo, como dizer?, impressionado! Pois, à medida em que respondia às perguntas do Personagem, foi se surpreendendo mais e mais com suas próprias palavras.
No dia seguinte, conversaram de novo. E no outro, outra vez.
Trocaram ideias durante tanto tempo que acabaram se tornando grandes amigos. Anos depois, eram tão íntimos que um logo adivinhava o que o outro tinha acabado de pensar e, juntos, inventaram histórias fabulosas.
Esse miniconto foi publicado em maio pela revista Nova Escola.
30/11/2009
Promessa
Ei, você não vem deitar? Já é tarde! Vem logo, aproveita, hoje eu tô me sentindo mais fofo ainda! Sua mãe me colocou no sol, arejei as plumas e as ideias. E com essa fronha macia fico sempre tão inspirado... Então, tá esperando o quê? Isso: deita, ajeita bem a cabeça. Agora respira fundo e fecha os olhos. Mas... Como assim? Logo hoje você inventa de dormir de barriga pra cima? Vira, por favor, é melhor! E vê se não me amassa demais. Assim, ótimo! Agora tá tudo certo. Coloca o ouvido bem pertinho de mim e escuta esse sonho lindo que eu tenho pra contar.
(ST)
Pressa
Corre assim corre assado
Todo mundo vive apressado
Até a vovó acelera o passo
Pra entrar nesse compasso
Será que precisa ser astronauta
Pra poder flutuar devagarinho pelo espaço?
(ST)
27/11/2009
Na floresta

Caminho quase todo dia no parque Villa Lobos -- quem passa sempre por aqui já sabe. Às vezes, escrevo enquanto ando: pensa isso, pensa aquilo e, de repente, aparece a frase que ficou faltando no dia anterior. Pode ser só uma palavrinha dando a pista que vai resolver tudo ou uma ideia que, na hora, parece completa, com começo, meio e fim.
Mas também faço longas caminhadas que não levam a lugar nenhum. A cabeça e o corpo vão andando em círculos e o trajeto acaba no mesmo ponto de partida. Não sei por que acontece ou não acontece. Mas gosto de estar sempre perto dessa floresta.
(ST)
26/11/2009
O xis (poético) da questão
Ela me dá o giz e pede pra escrever uma palavra com xis. Xi! Será que xícara...? Será que chácara...? Ah, tem aquela! Como é mesmo que se diz...? Sabe, professora, aquilo que tem nas fontes... Acho que é... É, é isso: chafariz! Bola na trave, ela torce o nariz: essa palavra é bonita, mas cadê o xis? Daí olha pra classe porque alguém se arrisca e diz: chilique! Ufa, que alívio, esse erro eu não fiz! Mas de novo é minha vez, ai, que sufoco, e de repente lembro do gato... Xadrez! Final feliz, nem acredito, essa foi por um triz.
(ST)
25/11/2009
24/11/2009
Convite
A primeira curiosidade que encontrei no livro novo da querida Carla Caruso foi o significado na palavra almanaque, que vem do árabe al-manákh: "lugar onde o camelo ajoelha" e "parada em uma viagem" que, aqui, segue a rota dos cinco sentidos, com histórias e ilustrações deliciosas.
O lançamento será na próxima sexta-feira, dia 27, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 19h30. Eu vou!
A casa triste
Depois de tanto banho de sol e de chuva, a placa "vende-se" amarelou. A outra, que dizia "aluga-se", sumiu atrás do emaranhado de folhas feias de um jardim que envelheceu rabugento e solitário, sem visita de passarinho. Ainda dá pra ver a casa, lá no fundo: não tem mistério nem fantasma, parece que só a tristeza ficou morando lá.
(ST)
23/11/2009
Grego
Programão
19/11/2009
Dez minutos -- um exercício
O "tempo" virou o assunto dos últimos posts e apareceu de novo na oficina de escrita que estou fazendo com a Noemi Jaffe. O exercício: escrever sobre ter que escrever em dez minutos.
Dez minutos bastam pra tomar banho. Um bom banho. Até sobra tempo pra ficar debaixo do chuveiro, à toa, sem a obrigação do sabonete. Dez minutos também é tempo mais que suficiente pra desempatar um jogo, ler um poema e sentir vontade de cantar, ir de bicicleta até a banca da pracinha, arrumar uma gaveta, tomar café com bolo, convencer alguém de alguma coisa, ligar a televisão, zapear por uns trinta canais, não achar nada interessante e desligar a televisão. Ou pra ter uma ideia genial e escrever um texto supimpa. Pena que, justamente agora, falta a ideia e sobra tempo.
(ST)
18/11/2009
Depois do corre-corre
Tic-preguiça-tac-travesseiro
o tempo fica mais cheio de tempo
no relógio de janeiro
(ST)
17/11/2009
A jato
E O Mistério do Tempo me fez pensar que não vou conseguir terminar tudo o que ainda preciso fazer antes que o ano termine. A partir de agora as horas vão ficando cada vez mais apressadas, não é assim?
(ST)
16/11/2009
Livro novo, oba!
13/11/2009
O plano -- um miniconto
Mãe, deix’eu falar! É que aconteceu uma coisa...
Não, desse jeito tá ruim.
Oi, mãe, tudo bom? Foi legal o seu dia hoje...?
Hum. Piorou.
Então, mãe, eu saí correndo do meu quarto porque a campainha tocou e eu tava esperando o Dani, e aí tinha o vaso...
Não, não, não. Isso vem depois. Na hora da explicação.
Sei lá de que jeito eu conto. Tanto faz, ela vai ficar brava mesmo. Muito brava. Vai ser uma bronca do tipo 8 ou 9, bronca máxima, bronca com castigo na certa. O pior é que ela gosta desse vaso. Quer dizer, gostava. Nem sei por que, um vaso tão feio! Esquisito, finiiiiiiiinho. Nem serve pra por flor! Tomara que não seja caro. Vai que ela resolve descontar da minha mesada! Bem agora que eu ia pedir um extra pro álbum... Que azar!
E se eu tentar colar? Vou pedir pra Maria me ajudar, ela sempre cola as coisas, minha mãe demora um tempão pra perceber. Hum. Pensando bem, acho que vai ser difícil montar esse troço de novo. E o que eu faço com essas partes que viraram pozinho? Quebrou muito quebrado. Se fosse estampado dava pra disfarçar tanto remendo, mas transparente desse jeito! Ela vai ver o desastre na hora. O vaso é a primeira coisa que a gente vê quando abre a porta... Isso é o pior de tudo: o não-vaso é a primeira coisa que ela vai ver quando chegar do escritório. Tomara que ela não chegue mal humorada por causa daquela pessoa chata lá do trabalho dela... Daí, nem sei o que pode acontecer.
Acho que é melhor não estar por perto na hora H. Já sei! Vou limpar a mesa, o chão e jogar tudo no lixo. Depois, me tranco no banheiro e espero. Na hora que ela abrir a porta e olhar pro não-vaso e gritar: O QUE ACONTECEU COM O MEU VASO? eu abro o chuveiro e fico lá tomando banho. Pelo menos escapo do grito de trovão-furioso número 1. Os que vem depois vão saindo com menos raios... Mas não posso demorar demais, senão ela vai começar a brigar com a Maria, coitada. Bom, sei lá. Essa parte do plano eu resolvo na hora. Em todo caso, vou levar o travesseiro.
(ST)
12/11/2009
Diários da bicicleta
11/11/2009
Na noite mais escura
A bruxa, o monstro e a assombração
Não acharam a menor graça no apagão
Todo mundo aproveitou e foi dormir mais cedo
Só eles ficaram acordados, morrendo de medo
(ST)
10/11/2009
Já!
Mãe, não enrola
Eu quero sorvete
agoragoragora!
Vontade não tem hora
Deixa eu tomar meu sorvete
agoragoragora?
Para o meu querido Manuel.
09/11/2009
Os nomes das coisas
A palavra cisne não seria muito mais cysne desse jeito? "Visualmente, essa grafia representa melhor os elegantes traços da ave". Quem diz é o escritor português José Luis Peixoto, no Caderno 2 de hoje. Li só um livro dele, o "Nenhum Olhar", e gostei muito. Também gosto desse modo de pensar as palavras e lembrei de um diálogo entre pai e filha que escrevi em "As Namoradas do Meu Pai":
Quando eu era menor, a gente passava um tempão inventando e desinventando palavras.
-- Eu acho que não tem coisa mais lua do que a lua. É uma palavrinha redonda, branca, quem batizou a lua de lua teve uma inspiração. E aposto que foi numa noite de lua cheia!
-- Sol também, né, pai? Tem um redondo na palavra!
Às vezes, ele vinha com um desafio:
-- Diga um nome que não tem nada a ver com a coisa nomeada!
-- Hum.Já sei: chuva! Acho que chuva devia ser o nome do vento por causa do U, que combina com o som do vento-uuuuuuuuu-ventando. Fica estranho chamar o vento de chuvo?
-- Até que não. Mas também podia ser vuonto. Acho que combina mais. Dá até pra enxergar o vuonto fazendo as coisas girarem por onde passa. E ventania passaria a ser vuontania. O que você acha?
-- E como devia ser o nome da chuva?
-- Bom, tinha que ser uma palavra assim mais molhada. Como... Pingada! Que tal? Se o pingo é um plim molhado, pingada é o nome ideal para um monte de pingos!
06/11/2009
No parque
Hoje o vento soprou uma ideia dentro de um saquinho plástico. Depois ventou bem forte pra ajudá-lo a voar, feito fantasminha encapuzado, brincando de assustar os passarinhos.
(ST)
05/11/2009
Inveja
04/11/2009
Aventura
...
"Era muito mais agradável lá em casa", pensou a pobre Alice, "lá não se ficava sempre crescendo e diminuindo, e recebendo ordens aqui e acolá de camundongos e coelhos. Chego quase a desejar não ter descido por aquela toca de coelho... no entanto... no entanto... é bastante interessante este tipo de vida!"
...
A imagem veio do blog de Jennifer Khoshbin.
03/11/2009
Das invenções
Quando eu crescer vou ser inventor. Sempre penso numas coisas muito importantes que ainda não foram inventadas. O medidor de amor, por exemplo. O amorzômetro podia resolver um monte de problemas: em vez de ficar perguntando pra minha mãe se ela gosta mais de mim do que do chato do meu irmão, era só colocar o aparelho em cima do coração dela e tirar a dúvida na hora.
Eu também quero inventar um jeito de conversar com os animais. É que de vez em quando os olhões do meu cachorro ficam cheios de pensamentos. Dá pra ver, mas não dá pra entender. A gente fica naquela comunicação básica: um latido = oi; dois = vamos dar uma volta?; três = você demorou pra chegar; muitos latidos juntos = estou muito feliz ou muito bravo (depende do tom). Mas é difícil descobrir quando ele só olha e não late. Daí não tem como trocar uma ideia.
Também acho que devia existir um jeito da gente escolher o que vai sonhar. Podia ser uma fórmula tipo xarope com cardápio de sonhos: sabor viagem espacial, sabor sonho-maluco, até xarope sem sabor, com direito a sonho-surpresa. Claro que tinha que acertar bem a dose pro sonho não virar pesadelo. Vai ver é por isso que não tem nada desse tipo na farmácia... Mas, e um escorregador com marcha-a-ré automática -- como é que ninguém inventou um desses ainda?
...
Tem umas invenções novas nesse miniconto, que foi publicado na Folhinha em 2007.
(ST)
02/11/2009
30/10/2009
As novas amigas da Creuza
Giorgia e Giulia moram no Arraial d'Ajuda, entre Porto Seguro e Trancoso, na Bahia, e conheceram a bruxa Creuza há pouco tempo, durante uma visita da tia-jornalista Rosaly Senra, que levou os livros e também um questionário-entrevista, que a Giorgia respondeu tintim por tintim (clique em cima pra ampliar), incluindo um pedido especial.
A propósito, aí vai um recado da bruxa: sobre o feitiço pra transformar uma pessoa "chata" em sapo, bom, a Creuza vai pensar no assunto -- não é toda hora que a gente pode sair por aí fazendo esse tipo de coisa, e talvez ela encontre um jeito menos radical de resolver o problema com a diretora da escola... Aguarde notícias, Giorgia! Enquanto a solução não chega, vamos treinando outras mágicas -- amanhã é um ótimo dia pra isso: as feiticeiras estarão circulando por todos os cantos. A Creuza já está na vassoura, prontinha pra decolar, levando até a câmera pra registrar os melhores momentos da festa. Eu também vou passear, até terça-feira!
(ST)
28/10/2009
Ausência

Longe é um lugar onde eu ainda não posso ir.
Fica depois do fim do mar, atrás de umas montanhas muito altas que vão até o céu do cartão postal.
Não sei bem como meu pai chegou lá.
Uma vez minha mãe disse que foi de navio.
Mas outro dia perguntei de novo, e ela falou que foi de avião.
Fiquei pensando: acho que primeiro ele viajou de navio e depois tomou um avião.
De tão longe que Longe deve ser.
...
Trecho de "Longe", ilustrado por Mariana Newlands.
(ST)
27/10/2009
26/10/2009
Meninas...

-- Eu não vou mais brincar com você.
-- Por que?
-- Porque você disse pra Ju que eu acho ela chata.
-- Eu não disse!
-- Disse, sim!
-- Quem disse que eu disse?
-- A Lu. E agora ela é a minha melhor amiga.
-- Mas ela é amiga da Ju!
-- E daí?
-- Daí que você disse que ela era chata!
-- Eu disse que "achava". Não acho mais.
A foto linda veio do blog da Rosane Queiroz, e essa conversa eu ouvi um dia desses, entre duas garotinhas de uns cinco anos. Depois disso, cada uma foi prum lado, emburrada, tristes de jeitos diferentes. Quem já foi menina um dia sabe como é duro ficar de mal pra sempre, mesmo que seja só por uns dias.
(ST)
23/10/2009
22/10/2009
Cena colorida
Dentro da caixa de lápis coloridos
Começa a história dos chinelos perdidos.
Diz o amarelo:
-- Era uma vez um chinelo...
E o verde continua:
-- ...que resolve sair andando pela rua...
Nervoso, o vermelho quer saber:
-- E se o coitado se perder?
O azul não bota fé:
-- Desde quando um chinelo anda sem pé?
É hora do roxo dizer:
-- É mesmo perigoso, tudo pode acontecer.
Mas o laranja interrompe:
-- Ele deve estar procurando o seu par.
Sempre calmo, o branco fala:
-- O chinelo conhece os passos, ele vai se virar.
Então o marrom exclama:
-- Surpresa: os dois estão debaixo da cama!
Claro que é o rosa quem diz:
-- E juntinhos pra sempre... Que final feliz!
Se você estiver achando que já leu isso em algum lugar, achou certo. Essa brincadeira já apareceu aqui com outras cores e outro título: "Varinhas de Condão".
(Silvana Tavano)
21/10/2009
Catapora e poesia
"Lição de Casa" é um dos finalistas do Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo da Fliporto 2009, um trabalho lindo da Analu Andrigueti com uma equipe pra lá de talentosa: Fernando Muylaert (direção), Emiliano Castro (trilha sonora), Andre Caccia Bava (gravação), Eduardo Muylaert e Helô Mello (fotografia).
(ST)
20/10/2009
Bonecas do Vietnã
A gente abre uma caixinha e dá de cara com essas três meninas e um manual de instruções da brincadeira, que diz: "quando você tiver um problema, fale com a sua boneca". Essa antiga tradição do Vietnã ensina a tirar a boneca-confidente da caixa e contar tudo pra ela, antes de dormir. Durante a noite, enquanto a gente descansa, ela vai tentar resolver a questão. E como são só três bonecas, é permitido ter no máximo três problemas por dia.
Depois de posar pra foto, as bonecas voltaram pra caixinha e o presente da querida Claudia Berkhout foi direto pro meu criado-mudo. Tenho uns assuntos pra conversar com elas, mas achei que não precisava ser logo na primeira noite. Já é bem bom saber que elas que elas sempre vão estar por perto.
(ST)
19/10/2009
Aniversário
Abraço com laço de fita, amigos e amores bem perto
Tem melhor do que ter tudo o que importa no lugar certo?
(ST)
O martelo virou personagem

Meu filho Caio fez uma versão HQ do meu "Drama com Final Feliz" -- até que fazemos uma boa dupla, não?
16/10/2009
Sobre as nuvens
Às vezes eu vejo os pensamentos. E não tem nada a ver com adivinhação! Isso é pra quem tem aqueles dons especiais. Ou também acontece quando a gente conhece alguém muuuuuuuuito bem. É assim com a minha mãe: tem horas que só de olhar já sei que ela vai me mandar tomar banho, por exemplo.
Mas aí é outra coisa. Estou falando de ver o pensamento sendo pensado. A gente consegue enxergar uma espécie de nuvem que vai aparecendo, geralmente no alto da cabeça da pessoa. Nessa hora, tem gente que olha pra cima e fica revirando os olhos, tentando descobrir o que tem lá dentro. Também tem uns que mordem a boca, bem no cantinho -- daí os olhos disfarçam, fingindo que estão olhando pra outra coisa e que não tem nuvem nenhuma ali. Mas ela está lá e fica perturbando. Não desmancha enquanto a pessoa não der atenção.
Quando o pensamento é triste, os olhos descem, quase fecham. Claro que a pessoa não quer ver! Mas com esse tipo eu ainda me confundo porque o pensamento preocupado também é meio assim, olhando pra baixo. Só que nesse a pessoa sempre pisca mais porque a nuvem pesa, fica incomodando.
É muito legal ver o pensamento-vulcão se formando. Esse tipo de nuvem até embaça o ar de tão quente que é. Se a pessoa fica vermelha, o pensamento é de raiva. Mas quando o rosto acende, é porque lá dentro tem alguma ideia muito boa.
Quando o pensamento é muito interessante ou preocupante, a nuvem cresce e a pessoa não presta atenção em mais nada. Todo mundo já viu gente assim, com a “a cabeça nas nuvens”, é ou não é?
De vez em quando também vejo umas nuvens pretas. Não sei o que tem dentro, nem gosto de olhar muito.
Ver todas essas nuvens é legal, mas não não ver nada também é, porque pensamento gostoso quase nunca forma nuvem. Daí a cabeça tá sempre limpinha que nem céu azul.
...
Andei mexendo em textos antigos, como esse, de 2007. Mudei uns issos e aquilos. É o mesmo, mas ficou diferente.
(ST)
15/10/2009
14/10/2009
Técnica da paixão

Meu filho se apaixonou por Estudos Sociais na 8ª série. Mudou de escola, mas o interesse pelo assunto foi junto e continua crescendo. Vira e mexe, vai visitar o professor-cupido, o jovem Uirá Fernandes, da Escola Vera Cruz. Torço pra que ele cruze com muitos outros mestres inspiradores e inesquecíveis pois, como bem disse Adélia Prado, "quem não teve um professor com quem se emocionar, não teve um professor". Lembrei disso por causa do dia do professor, mas também por conta de uma pergunta que me fizeram na segunda-feira, sobre "técnicas" pra fazer com que as crianças gostem de ler. Não soube dar uma resposta-manual: é claro que um bom professor tem que dominar sua matéria e certamente passa melhor o conhecimento quando é didático. Mas só os apaixonados dominam a "técnica" de flechar corações. Não é assim?
(ST)
13/10/2009
Rebelde com causa
10/10/2009
09/10/2009
Em boa companhia
A jornalista Inês de Castro conversou sobre livros e o Dia das Crianças comigo, Tatiana Belinky, Rubens Alves e Ilan Brenman -- as entrevistas vão entrar na programação da BandNews FM neste sábado, domingo e segunda-feira.
E no dia 12, que agora também é o Dia Nacional da Leitura, eu e Maria Amália Camargo vamos participar de um encontro na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato. Pra saber tudo o que vai acontecer lá, clique aqui.
(ST)
07/10/2009
Mãe
A fivela-pente, o anel de pérola
O bloquinho de notas com a letra dela
Uma foto-binóculo, o lenço de rendinha
Quanta saudade cabe numa caixinha
(ST)
06/10/2009
Adolescentes de manhã
"Minha vida mudou depois que descobri que os vikings não usavam chapéu com chifres... Como o professor diz isso assim, de repente?!?"
...
Às vezes é uma dureza acordar cedinho, mas ganho o dia quando um dos adolescentes que levo pra escola entra no carro e começa a conversa desse jeito.
(ST)


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